Os garotos de John Green, por Thiago Theodoro.

17 novembro 2013

A Culpa é das Estrelas, lançado pela editora Intrínseca, colocou nas nossas bibliotecas particulares um novo autor, John Green.
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…… [ LONGA PAUSA PRA VOCÊ CHORAR LEMBRANDO A HISTÓRIA DE HAZEL E AUGUSTUS] ……
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Desculpe, as duas últimas linhas foram só para eu chorar. De volta à parte seca do post: o sucesso de A Culpa é das Estrelas revelou pra gente as outras obras de John: Will e Will – Um Nome, Um Destino, O Teorema de Katherine e o que acabei de ler, Cidades de Papel. Nessas obras (percebi que esqueci uma delas, mas vou deixar só pra vocês causarem nos comments), encontramos muito do estilo do autor americano: o senso de humor, as tiradas inteligentes e a sensibilidade nada melosa. (“Ô, Thiago, meu filho, tem 70 pessoas tentando falar comigo no Face Talk, vamos logo para o assunto do post?”)


Ok, o Thiago leu bastante John Green, mas não sabe fazer fotos.
Calma, calma. Uma das coisas que mais amei em John Green foi ver em seus livros um retrato de como somos nós, os meninos. É até engraçado perceber que o primeiro grande sucesso dele tenha UMA protagonista, porque John revela a alma dos garotos como ninguém. E olha que estou pra ver uma alma mais escondida e maltratada que a dos garotos. Pense que existe um mundo de revistas, sites, produtos totalmente voltados a ajudar uma garota a se sentir melhor… Enquanto isso, para nós, existe o quê? PARALELEPÍPEDOS.
Como chegar numa garota (o), como fazer barba, como fazer amigos… Ninguém está nem aí para o que rola com a gente. Daí, os garotos ficam meio perdidões, chutando bola, dizendo que te amam, chutando bola, beijando sua amiga depois, chutando bola de novo… Você – um ser inteligente e normal – não entende nada, mas a verdade é que nem nós entendemos. E aí que John Green entra (aleluia, Thiago!). Os personagens dele são esses perdidões aí, só que piores, porque jogam futebol pegando a bola com a mão (Na boa, bem zoado isso aí, EUA).
Em Cidades de Papel, por exemplo: Quentin é praticamente obcecado por sua vizinha maluca, Margo. O cara é capaz de sentir o cheiro dela do outro lado da rua, mas morre de medo, vergonha, insegurança etc. (A lista não tem fim, por isso não fazem revista pra gente). No livro, os dois se conhecem desde pequenos e, depois de passarem muito tempo longe um do outro, se reaproximam numa louca noite, em que Quentin ajuda Margo na vingança mais bizarra que já vi. É óbvio que, depois disso, o amor dele aumenta. Mas não é óbvio que Margo, depois disso, desapareça.
A partir daí, o livro vira a jornada de Quentin em busca de uma Margo desaparecida. Só que, no meio do caminho, ele descobre muito mais do que isso. Descobre um pouco de quem ele é e do que significa esse grande amor que sente. Uma trajetória muito parecida com a de outros personagens de John Green, como os dois Wills meio perdedores (de Will e Will) e o nerd neurótico Colin (de O Teorema de Katherine). No fundo, um bando de garotos perdidos, cheios de medo, mas totalmente apaixonados.
Daí você vai dizer: “Thiago, nem todo garoto é tipo o Quentin, um nerd-fofo-perfeito-quero-cuidar!”. Mas nem toda garota é louca como a Margo, eu respondo. Oras, em Cidade de Papel, o legal é entender as figuras que esses personagens representam. Margo é madura, ousada, independente. Muito parecida com as garotas que me visitam aqui na redação ou que leem meu blog. Ou será que eu, garoto, vejo vocês assim? Já Quentin é meio bobão ainda, passa a tarde jogando vídeo game e zoando os amigos. Ou será que ser menino é muito diferente disso? (Não é, eu garanto). É como se as garotas criadas por John Green estivessem sempre um passo a frente de seus protagonistas. Ou será que somos nós, os garotos da vida real, que estamos sempre um passo atrás de vocês?

Boa leitura,
Beijo,
Thi
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PS 3: amo quem veio aqui ler, independentemente do PS1 e do PS2.









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