Me perguntaram se sou feliz. E um milhão de memórias se
passaram pela minha cabeça. Já chorei após um término, gritei com alguém,
briguei com os amigos e fiquei de mal por dias, discuti com a família, zerei
uma prova, me atrasei pra escola, senti nostalgia, desejei atenção dos meus
pais inutilmente, fiquei triste com músicas que antes me faziam sorrir, perdi
pessoas que me completavam, descobri que muitos “amigos” só querem me ver cair,
tenho medo de confiar na pessoa errada, já gostei de alguém que nem sabia meu
nome, varei a noite sem conseguir dormir por pensamentos constantes, lembrei de
quem me deixou pra trás faz tempo, percebi como tem gente falsa, tenho insônia,
me estresso em semana de provas, recebo bronca quando chego tarde, muitas vezes
me sinto como se fosse criança, não tenho mais tudo que quero. Mas também já
chorei de rir, me arrependi de coisas que depois trouxeram lembranças
inesquecíveis, me arrisquei, conheci alguém que me faz feliz até hoje, fiz
novas amizades, confio absurdamente em pessoas especiais, sou independente,
faço besteiras sem pensar no amanhã, acordo cedo pra ver quem faz meu
dia-a-dia, durmo muito, como muito, sinto demais, vejo que quando ajudo alguém
recebo um retribuimento que traz uma sensação de conforto, aprendi a me virar,
sei quem vou levar pro resto da vida, tomo minhas próprias decisões. E aí
pensei novamente naquela pergunta que me foi feita. "Você é feliz?" É
engraçado como uma pergunta tão simples pode me fazer lembrar de toda uma vida
em segundos. Minha resposta? "Sem sombra de dúvidas, sou absurdamente
feliz.



